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01 de Março de 2017 . 19h13

O capacete feito de papel que ganhou um dos principais prêmios de inovação do mundo

Inspirada pelos sistemas de bicicletas públicas que usava em viagens, jovem engenheira americana inventou solução barata de segurança.

A ideia de um capacete de papel para ciclistas nasceu da mente inquieta de Isis Shiffer, uma engenheira industrial americana de 28 anos que se define como “inventora compulsiva”.

O EcoHelmet, como é chamada a invenção, ganhou o prêmio internacional James Dyson, um dos mais prestigiosos do mundo, para ideias criativas e inovadoras.

Segundo Shiffer, o produto foi pensado especialmente para pessoas que viajam pelo mundo, utilizam bicicletas públicas e acabam circulando pelas cidades com a cabeça desprotegida.

Ele é dobrável, reciclável e consegue resistir à chuva por cerca de três a quatro horas. E custará apenas US$ 5 (R$ 17).

Mas como um capacete de papel pode ser seguro para ciclistas?

O designer industrial britânico James Dyson (dir.) premiou a invenção de Shiffer, que terá mais recursos para ser aperfeiçoada

‘Difícil de comercializar’
O capacete é feito com uma estrutura em forma de favo de abelha. De acordo com a engenheira, ela é “incrivelmente eficiente na hora de absorver o impacto”.

Os testes com o material foram feitos no Imperial College de Londres. “Eles têm um local de testes para capacetes e o professor encarregado do laboratório me deixou experimentar com muitos materiais diferentes”, disse Shiffer à BBC.

No laboratório, era possível medir a velocidade e a intensidade do impacto para entender quanto a estrutura conseguiria aguentar.

Para Shiffer, “quem pegar o capacete nas mãos vai se surpreender com sua solidez”.

A Sociedade Real para a Prevenção de Acidentes do Reino Unido, no entanto, disse que ainda não sabia o suficiente sobre o produto para afirmar que ele obedece aos padrões de segurança europeus.

A inventora admite que o capacete pode ser “difícil de comercializar” e que vai dar trabalho convencer as pessoas de que ele realmente funciona.

Shiffer diz ser uma ciclista “entusiasmada, mas lenta”, e teve a ideia justamente porque alugava bicicletas públicas - sistema presente em diversas capitais do mundo - durante suas viagens.

“Quando eu explorava novas cidades não tinha capacete e não queria gastar US$ 30 em um”, relembra.

Capacete de papel usa estrutura de favo de abelha, que confere resistência, mas ainda precisa ser certificado em relação à segurança
Design melhorado
O capacete de Shiffer é feito para um número limitado de usos e estraga com o tempo, especialmente se transportado dentro de uma bolsa ou mochila, por exemplo.

Seu formato final provavelmente contará com uma pequena fita que mostrará quando é hora de jogá-lo fora, ou uma fivela que deixa de funcionar após certo período.

Desde 2002, o instituto do inventor e engenheiro industrial britânico James Dyson premia universitários de escolas de design em todo o mundo.

Dyson ficou famoso por inventar o aspirador Dual Cyclone, que não precisa de saco para recolher o pó, e secadores de mão rápidos (nos quais se coloca as mãos no meio do espaço por onde passa uma lâmina de ar) usados em banheiros públicos de todo o mundo.

Recém-formada na escola de design do Instituto Pratt, em Nova York, Shiffer receberá cerca de US$ 37 mil para melhorar o design do capacete. Segundo ela, o prêmio é o “cálice sagrado” do design.

Os outros dois finalistas internacionais este ano - premiados com mais de US$ 6 mil, foram Respia, um projeto criado por uma australiana para monitorar a saúde respiratória, e um sistema de lentes de contato inteligentes feito por um estudante canadense.

Fonte: G1
Saiba mais em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/11/o-capacete-feito-de-papel-que-ganhou-um-dos-principais-premios-de-inovacao-do-mundo.html